A mãe de Beatriz Angélica Mota, Lucinha Mota, manifestou-se publicamente nesta terça-feira (21) contra o pedido da defesa de Marcelo da Silva de transferir o julgamento do caso de Petrolina para o Recife. Em pronunciamento nas redes sociais, ela classificou a solicitação como uma manobra protelatória e garantiu que não aceitará a mudança de local.
“Eu não vou admitir, de forma alguma, que esse processo seja retirado daqui de Petrolina. Petrolina, Juazeiro, o Vale do São Francisco merecem essa resposta. Ele deve isso à gente. Essa resposta tem que ser dada aqui”, declarou Lucinha, reafirmando que a região aguarda uma posição da Justiça há mais de dez anos.
Apesar da resistência em relação ao local, Lucinha demonstrou confiança na condenação: “Independente de onde aconteça o júri do caso de Beatriz, Marcelo da Silva vai ser condenado porque ele é um estuprador de uma criança. O processo tem as provas necessárias e suficientes para a condenação dele”.
Ela classificou o pedido de desaforamento como uma estratégia para atrasar a solução do caso: “É apenas uma protelação. O nosso ordenamento jurídico dá esse direito a esses covardes e cruéis”.
A mãe de Beatriz também prometeu intensificar a mobilização. Caso a Justiça determine a transferência do julgamento, ela afirma que acampará em frente à comarca até a data do júri: “Se houver qualquer tipo de manobra, eu faço minhas malas e vou acampar. Onde eu estiver, a minha voz vai ser a voz de Beatriz. Chega!”
Lucinha lembrou ainda da caminhada de cerca de 720 km que fez entre Petrolina e o Recife, em 2021, para cobrar a conclusão das investigações, reforçando sua determinação: “Se aquilo não foi suficiente, pode ter certeza de que eu vou permanecer firme”.
O pedido da defesa
A defesa de Marcelo da Silva, representada pelo advogado Rafael Nunes, alega no pedido protocolado no Tribunal de Justiça de Pernambuco que a trajetória política de Lucinha Mota e a forte mobilização popular em torno do caso comprometem a imparcialidade dos jurados em Petrolina. Também citam risco à integridade física do acusado e da equipe de defesa. A solicitação ainda aguarda análise judicial.
O crime
Beatriz Angélica Mota, de apenas 7 anos, foi assassinada com 42 golpes de faca no dia 10 de dezembro de 2015, durante a festa de formatura da irmã, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina. Marcelo da Silva foi identificado por exames de DNA e chegou a confessar o crime na fase investigativa, mas hoje contesta a autoria e as provas. Ele responde por homicídio triplamente qualificado e é réu no Tribunal do Júri.
Fonte: Diário do Pernambuco

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