No dia 25 de julho, Paulo Gomes acordou durante a madrugada e arrumou o filho, Pedro Almeida de Souza, para uma consulta que seria realizada na Policlínica de Senhor do Bonfim. O transporte, segundo ele, estava confirmado e seria realizado pelo Tratamento Fora de Domicílio de Queimadas, Nordeste da Bahia. Porém, o
veículo
não apareceu. O atendimento, após horas de espera, já tinha sido perdido.
Cristianismo
Pedro precisava da consulta com um gastroenterologista para confirmar se haveria mudanças em suas medicações, tomadas para questões estomacais. Segundo o pai, Paulo, o jovem, de 25 anos, não pode ser transportado em um ônibus comum, da Prefeitura, por ser uma pessoa especial, inclusive com acompanhamento realizado pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
“A gente estava dependendo do transporte para levar meu filho à Policlínica. Ele não pode andar em carro grande, teria que ser um pequeno. Queriam levar ele em um ônibus, pela manhã, às 4h, para retornar às 18h. Ele é um paciente que não fica em lugar nenhum, porque fica agoniado”, disse Paulo Gomes, ao pedir ajuda ao jornalista Jean Mendes.
“Eu estive no hospital [Edson Silva] no dia 24. Confirmei que a guia do Pedro estava lá. A menina me mostrou, com nome dele, para sair daqui 6h diretamente para Senhor do Bonfim. Tinham os carros na garagem, no fundo do hospital. O menino não foi. Eu queria que isso chegasse até o médico”, acrescentou o rapaz, com medo de que o filho não consiga mais remarcar suas consultas.
Ao saber que não seria mais levado para Senhor do Bonfim em um veículo pequeno, o homem pegou o próprio celular e filmou, na garagem da Secretaria da Saúde, veículos pequenos que estavam à disposição. “É um menino que não pode ficar em transporte grande, por conta do problema dele. Às vezes, ele fica em um ambiente hospitalar e não quer ficar, quer vir embora. Fica querendo surtar. Isso já aconteceu em Salvador e na própria Policlínica”, contou.
“Ele tem problemas, com medicação do estômago. Pode ser que o remédio precise trocar e não deu para ir hoje. Estou fazendo esse pedido para você, Jean Mendes. Estamos sofrendo aqui com o transporte”, sublinhou Paulo.
O Região em Pauta procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Queimadas, mas o órgão não tinha se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço continua aberto. “Nesta segunda-feira, fui à Secretaria da Saúde e me falaram ‘um bocado de coisa’. Uma pessoa me disse que só posso marcar uma consulta depois de ir ao Ministério Público”, reclamou Paulo Gomes.
PROBLEMA RECORRENTE
É a segunda vez em dois meses que uma situação parecida acontece em Queimadas. Em maio, dona Marineide Rosa de Oliveira foi deixada para trás pelo TFD da cidade, porque não tinha espaço suficiente no veículo. Sua consulta, com um reumatologista, estava marcada há dois anos.
Depois de todas as tentativas possíveis, os carros de Queimadas partiram, deixando dona Marineide para trás. Revoltada, ela gravou um vídeo naquele momento: “Um já vai saindo. Já está cheio. Vão ficar dois carros. Olha o ‘tanto’ de gente que tem ainda aqui. Tenho uma consulta marcada. São dois anos tentando. No dia que consigo acontece isso: sem carro para levar a gente. Para festa, paga absurdo para Eduardo Costa. Aí, tem dinheiro”, criticou.
Após reportagem do Região em Pauta viralizar, com um pedido realizado pelo repórter Jean Mendes, dona Marineide conseguiu uma consulta com o reumatologista Zenon Filho, em Santaluz. Com medo de novamente perder a marcação, ela recusou o TFD da Secretaria da Saúde.
Região em Pauta

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